Tudo sobre mulheres na ciência: de dados e discussões até as histórias de cientistas inspiradoras

compartilhe

Fique por dentro de todos os assuntos referentes às mulheres na ciência: de dados e discussões até histórias inspiradoras de cientistas.


Em 2005, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em parceria com a ONU Mulheres criou o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, no dia 11 de fevereiro.

O objetivo das organizações foi incentivar e promover a participação das mulheres na ciência. Especialmente a partir do reconhecimento da falta de equidade de gênero nesse setor.

É com o mesmo objetivo que nós também precisamos falar sobre essas questões que envolvem as mulheres na ciência.

Afinal de contas, o espaço da pesquisa científica é essencial para o desenvolvimento de qualquer país. É essencial que esse espaço compreenda consciência de gênero, de raça e o pensamento crítico.

Vamos lá 🙂

A importância da atuação de mulheres na ciência

Muitas vezes temos a impressão de que os homens dominam os conhecimentos científicos.

Quando você pensa nos plurais doutores e pesquisadores, qual é a imagem que vem à cabeça?

Possivelmente, dois homens doutores e pesquisadores, né?

De fato, na língua portuguesa, as palavras “doutores” e “pesquisadores” podem remeter a uma característica exclusivamente masculina.

Isso pode enviar a mensagem de que os homens têm maior aptidão para a carreira acadêmica. Ou pode dar a entender de o que os homens são a maioria.

No entanto, não é bem isso que as pesquisas demonstram. E é a partir de dados científicos que nos baseamos, certo?

Vamos começar pelo básico: não existem dúvidas de que não há nenhum argumento científico que explique uma diferença biológica entre a capacidade de atuação científica entre diferentes gêneros.

O buraco é muito mais embaixo e tem a ver com cultura e sociedade. Vamos lá.

O que acontece, na verdade, é que faltam incentivo e apoio às carreiras de mulheres. Tudo isso como resultado de uma visão ultrapassada de que as mulheres devem focar na maternidade e no cuidado com a família.

Essa perspectiva já está em debate em diversos âmbitos. E não poderíamos deixar de fora do nosso blog.

Felizmente, aos poucos, o cenário está mudando. Homens e mulheres têm se comprometido de forma mais igualitária: tanto nos trabalhos domésticos, quanto no desenvolvimento da ciência.

E os dados demonstram isso. Olha só: os números mais recentes, de 2016, indicam que existem 165.564 mulheres matriculadas e tituladas em cursos de mestrado e doutorado, enquanto os homens somam 138.462.

Ou seja: nós, mulheres, somos a maioria, com uma diferença de aproximadamente 19%.

No entanto, recém chegamos na estrada. O caminho para o tratamento isonômico entre homens e mulheres na ciência (e em todas as áreas) apenas começou.

Os dados da CAPES sobre o Sistema Nacional de Pós-Graduação apontam para uma conclusão bastante preocupante: ainda que as mulheres sejam a maioria, ainda recebem salários menores.

E outros dados deixam essa análise ainda mais complexa. As mulheres são as principais responsáveis pela manutenção financeira de domicílios no país e, as principais (sim, em 2022, não no século passado) responsabilizadas pelo trabalho doméstico.

Quer dizer: as pesquisas comprovam uma tripla (ou até mais!) jornada para mulheres brasileiras: cuidam da casa e dos filhos, desenvolvem pesquisas e mantém financeiramente sua família.

Isso que nem entrei no mérito do número alarmante de mulheres vítimas de violência doméstica e de assédio sexual no meio acadêmico.

Para ficar por dentro de formas de combate ao assédio sexual no meio acadêmico, assista ao vídeo do podcast Cientista também é com a Dra. em Física, Eliade Ferreira Lima:

Pesquisador e pesquisadoras no Brasil: número de doutores e doutoras

Veja este quadro organizado pela CAPES em 2018:

Gráfico - doutores divididos por gênero
Fonte: Plataforma Sucupira (CAPES/MEC)

Mulheres negras na ciência

Essa problemática é ainda mais grave se observarmos as questões de raça.

O Censo da Educação Superior pediu a autodeclaração de pessoas professoras através de um questionário do INEP e do MEC para instituições públicas e privadas.

Do total de professores e professoras, 44% escolheram não declarar sua raça ao Censo.

Considerados somente os declarantes, homens brancos doutores são 43% dos docentes dos cursos de pós-graduação.

Docentes doutores - por raça
Fonte: Gênero e Número

As universidades ainda são ambientes que têm muitas ações de racismo. É o que confirma Solange Rocha, uma das 219 doutoras professoras pretas em curso de pós-graduação no Brasil.

Ainda existem muitas ações de racismo nas universidades, como afirma Solange Rocha, uma das 219 doutoras pretas professoras em cursos de pós-graduação do Brasil.

O número de mulheres pretas com doutorado, assim como Solange, representam apenas 0,4% do corpo docente nos programas de pós-graduação no país (conforme os dados do Censo da Educação Superior).

Mulheres nas Ciências Exatas

Outro desdobramento essencial nessa questão: no gráfico da Plataforma Sucupira é possível analisar que as Ciências Exatas e Engenharias são as únicas áreas do conhecimento em que os homens são maioria absoluta.

É fundamental falar sobre isso porque muitas pessoas associam as áreas de Exatas aos homens. Como se eles fossem as únicas pessoas capazes de terem raciocínio lógico, objetividade, curiosidade e construírem novas tecnologias, por exemplo.

Essa associação parte do pressuposto de que homens têm uma série de características naturais que facilitam a atuação nas Ciências Exatas.

No entanto, essa ideia não é comprovada cientificamente e, na verdade, é mero conhecimento do senso comum.

Por consequência dessa confusão, muitas mulheres, que têm o perfil e gostariam de se candidatar para uma vaga dessa área acabam, desistindo.

É por isso que, ainda hoje, muitos turmas de Engenharia, Matemática, Física…são predominantemente formadas por homens.

Outro resultado disso é a diferença salarial entre homens e mulheres nas Ciências Exatas. Ou seja: pessoas com o mesmo cargo, mesma formação e mesmas funções recebem salários completamente diferentes.

Gráfico: Salário por gênero – Profissionais das Ciências Exatas, 2014

Fonte: PDET/DataViva

Esses dados mostram a desigualdade entre os salários de homens e mulheres dentro das Ciências Exatas. Quer dizer: a dificuldade da inserção de mulheres na área não é só em relação ao acesso, mas também à permanência.

Para mulheres que querem estudar nessa área e que precisam de inspiração, é muito interessante conferir o trabalho do site Mulheres na Engenharia e Elas nas Exatas.

Essas duas iniciativas têm o objetivo de contribuir para a redução do impacto dessas desigualdades de gênero nas escolhas profissionais e no acesso à educação superior de estudantes.

5 histórias inspiradoras de mulheres na ciência

Nada melhor do que uma boa história para se inspirar né?

Por isso, conheça 5 cientistas mulheres que mudaram a ciência:

Márcia Barbosa

Márcia Barbosa é uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil, pela Revista Forbes. É professora de física da UFRGS, membro da Academia Mundial de Ciências e diretora da Academia Brasileira de Ciências.

Por suas conquistas científicas e por sua luta para que mais mulheres sejam protagonistas na ciência, foi contemplada com os prêmios: Loreal-Unesco de Mulheres e Medalha Nicholson da American Physical Society.

Em 2020 foi considerada pela ONU Mulheres uma das mulheres que mudou o mundo com a ciência.

Marie Curie

Marie Curie nasceu em 1867 na Polônia. Em toda sua carreira na Química e na Física, Marie se dedicou aos estudos da radiotividade.

Nesse contexto, foi pioneira no estudo sobre o tema. Inclusive, sua intensa dedicação a adoeceu por alta exposição à radiação.

Em decorrência de todas as suas descobertas, Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel e a primeira pessoa a conquistar duas vezes o prêmio.

Você pode conhecer melhor a história de Marie, no filme Radioactive, disponível na Netflix.

Katherine Johnson

A história de Katherine Johnson (e de suas amigas cientistas Mary Jackson e Dorothy Vaughan) serviu de inspiração ao filme Estrelas além do tempo, indicado ao Oscar em três categorias.

Durante os 33 anos de trabalho na NASA,  Katherine Johnson, enquanto mulher negra, enfrentou muitos preconceitos dentro da agência espacial.

Em razão de suas pesquisas científicas, foi líder de cálculos de trajetória de voos e participou ativamente de equipes responsáveis por missões que levaram pessoas à Lua e à Marte.

Sue Ann Costa Clemens

Atualmente, Sue Ann Costa Clemens é docente da Universidade de Oxford e do Instituto Carlos Chagas.

Durante sua carreira, contribuiu diretamente para o desenvolvimento das vacinas do rotavírus e do HPV, além de chefiar o comitê científico na busca por um novo imunizante para a poliomielite.

Embora seja amplamente conhecida no meio científico há quase 20 anos, Sua recebeu os holofotes na mídia por causa de sua atuação na pandemia do Coronavírus.

Em menos de um ano, Clemens levantou do zero o financiamento para os testes das vacinas Oxford/AstraZeneca no Brasil e foi responsável por coordenar os estudos nos seis centros de testagem do imunizante no país.

Tiera Fletcher

Enquanto a maioria das crianças pintava, Tiera se imaginava construindo foguetes. Agora, essa engenheira aeroespacial de 25 anos está prestes a enviar humanos para Marte.

Tiera nasceu em uma pequena da Geórgia (EUA)e sempre teve interesse pela ciência. Em 2017, se formou no Massachusetts Institute of Technology (MIT) com um bacharelado em engenharia aeroespacial.

Ainda no MIT, recebeu o Prêmio Albert G. Hill por altos padrões acadêmicos e esforço para melhorar a qualidade de vida de grupos de pessoas minoritários.

Ainda no mesmo período, iniciou a carreira engenheira de análise e projeto estrutural de foguetes em tempo parcial na Boeing na NASA.

Impacto do trabalho doméstico na carreira de mulheres na ciência

As pesquisas da Parent in Science indicam o impacto de filhos na carreira acadêmica de mulheres e homens. 

Os números mostram que 59% das mulheres entrevistadas perceberam o impacto como negativo e 22% como bastante negativo

Nesse sentido, a partir de 15/04/21 passou a ser possível indicar a licença maternidade no Currículo Lattes

A Mettzer também quer se comprometer a firmar ações estratégicas para reconhecer todo trabalho invisível (e não remunerado!) que envolve criar crianças para sociedade.

Isso faz parte, inclusive, de ações para promoção da equidade de gênero na ciência. Por isso, lançamos nosso período de licença maternidade

Agora todas as pessoas responsáveis por bebês e crianças, podem solicitar a suspensão das assinaturas da Mettzer por 4 meses, para focar integralmente no trabalho de cuidado.

Para pedir a licença-maternidade, é só enviar um e-mail para suporte@mettzer.com 🙂 

Mas se você ainda não conhece a Mettzer, nós somos uma plataforma de soluções tecnológicas para simplificar a vida de universitários e pesquisadores.

Só para ter uma ideia, nós temos um editor de texto que formata, de forma automática, todos os trabalhos acadêmicos nas normas da ABNT: da capa até as referências bibliográficas.

Você pode fazer um teste gratuito por 7 dias. E não precisa cadastrar seu cartão para experimentar, ok?

editor de texto

 

compartilhe

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Teste agora nosso editor que formata trabalhos nas Normas da ABNT e APA

Modelos customizáveis de acordo com sua universidade