Tipos de pesquisa: abordagem, natureza, objetivos e procedimentos

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A compreensão dos tipos de pesquisa é fundamental para o desenvolvimento de qualquer pesquisa científica. Confira como você pode classificar seu trabalho quanto à abordagem, à natureza, aos objetivos e aos procedimentos.


A pesquisa científica leva em consideração um conjunto de procedimentos sistemáticos, que se apoia no raciocínio lógico e usa métodos científicos para encontrar soluções ou discorrer sobre algum problema de pesquisa.

Desta forma, a pesquisa científica é fundamental para a construção, aquisição e manutenção do conhecimento. Aqui se encaixam as pesquisas acadêmicas como TCC, monografia, dissertação, tese e iniciação científica.

Então, é por meio dela que podemos compreender o mundo em sua complexidade e solucionar problemas com a possibilidade de transformar o mundo em que vivemos. Ou, pelo menos, modificar nossas práticas.

Nesse contexto, por ser um conjunto de procedimentos sistemáticos, a pesquisa científica precisa ser classificada de quatro principais formas.

Nós sabemos o quanto esse assunto é complexo. Por isso, preparamos esse conteúdo com todos os tipos de pesquisa científica para te ajudar.

Caso ainda fique alguma dúvida, não deixe de nos escrever. Combinado? 🙂

1. Tipos de pesquisa científica quanto à abordagem

Inicialmente, ainda na fase de escrita do projeto de pesquisa, a primeira classificação de uma pesquisa é fundamental para estabelecer outras questões, como, por exemplo, a metodologia.

A primeira classificação de uma pesquisa deve ser em relação à abordagem. As pesquisas científicas sempre podem ser qualitativas ou quantitativas, ou ainda, agregar as duas classificações. A escolha vai depender da área, do objeto e dos objetivos da pesquisa.

Tipo de pesquisa qualitativa

A pesquisa qualitativa considera que existe uma relação entre o mundo e o sujeito além daquela traduzida em números.

Nessa abordagem, o objetivo central da pesquisa é entender a explicação de algum fenômeno. Ou seja, há subjetividades e nuances que não são quantificáveis.

Então, essa modalidade de pesquisa é descritiva, a partir de análises, de maneira geral, indutivas.

Nesse caso, as formas de coleta de dados são menos rígidas e menos objetivas. O próprio pesquisador que faz a coleta e a interpretação das respostas subjetivas das pessoas entrevistadas.

Por exemplo: uma pesquisa com o objetivo de entender os comportamentos e os sentimentos de mulheres que têm filhos em prisões.

Tipo de pesquisa quantitativa

Já, a pesquisa quantitativa considera elementos quantificáveis. Isto é, o objetivo da pesquisa é analisar fenômenos a partir de quantificações, normalmente através de ferramentas estatísticas.

O pesquisador, nesse caso, é apenas um observador, que não pode analisar os dados de forma subjetiva. A função dele é de simplesmente apresentar os resultados, a partir de uma estrutura, como tabelas e gráficos.

Isso significa traduzir opiniões e números em informações para elaborar classificações e análises.

Um exemplo é uma pesquisa para analisar qual é o perfil dos professores e professoras um curso de graduação, em relação ao gênero, idade, grau de escolaridade, raça, orientação sexual.

2. Tipos de pesquisa científica quanto à natureza

A segunda forma de classificar uma pesquisa científica é quanto à sua natureza.

Quanto à natureza, a pesquisa pode ser básica e aplicada.

Tipo de pesquisa básica

De forma direta, a pesquisa básica objetiva gerar conhecimentos novos para avanço da ciência sem alguma aplicação prática prevista.

É uma pesquisa puramente teórica, que requer obrigatoriamente uma revisão bibliográfica.

Tipo de pesquisa aplicada

Por sua vez, a pesquisa aplicada objetiva gerar conhecimentos para aplicações práticas com objetivo de solucionar problemas específicos.

Por exemplo, uma pesquisa destinada a investigar os tipos de tratamentos eficazes para os diagnósticos de fibromialgia.

3. Tipos de pesquisa quanto aos objetivos

A pesquisa científica também deve ser classificada quanto aos seus objetivos.

Assim como as demais, essa classificação depende do objeto, da metodologia empregada e do problema de pesquisa.

Isso significa dizer que não se deve escolher de forma aleatória. Mas ter um fim específico.

Pesquisa exploratória

A pesquisa exploratória tem o objetivo de proporcionar maior familiaridade com um problema.

Para tanto, envolve levantamentos bibliográficos, entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema, além da análise de exemplos.

Assumindo, em geral, a forma de pesquisas bibliográficas e estudos de caso.

Um exemplo é uma pesquisa com objetivo de entender como aconteceu o grande evento político das Diretas Já no Brasil.

Pesquisa descritiva

Em segundo lugar, a pesquisa descritiva objetiva caracterizar certo fenômeno. Como, por exemplo, descrever as características de certa população.

Assim, estabelecendo relações entre variáveis, o que envolve técnicas de coleta de dados padronizados, como questionários e técnicas de observação.

De maneira geral, a pesquisa descritiva assume a forma de levantamento.

Pesquisa explicativa

A última categoria, a pesquisa explicativa, visa identificar os fatores que determinam fenômenos e explicar o porquê das coisas.

Segundo Gil (2007, p. 43), uma pesquisa explicativa pode ser a continuação de uma pesquisa descritiva, posto que a identificação de fatores que determinam um fenômeno exige que esteja suficientemente descrito e detalhado.

Desta forma, assume em geral as formas de pesquisa experimental e pesquisa ex‐post‐facto.

4. Tipos de pesquisa científica quanto aos procedimentos

Muitas vezes a escolha dos procedimentos são demoradas e complexas porque o número de opções é bastante ampla.

Tentamos deixar o conteúdo mais didático e assertivo para facilitar a escolha e os caminhos das pesquisas.

a) Pesquisa experimental

Conforme Gil (2007), a pesquisa experimental objetiva selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciar o objeto.

Além disso deve-se definir as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto.

b) Pesquisa bibliográfica

Já, a pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de material já publicado, como livros, artigos, periódicos, internet, etc.

Pode dizer que essa categoria de pesquisa é um tipo de revisão bibligráfica ou levantamento bibliográfico.

Neste mesmo sentido, Gil (2007, p. 44) explica que os exemplos mais característicos desse tipo de pesquisa são: investigações sobre ideologias ou pesquisas que se propõem à análise das diversas posições sobre um problema.

c) Pesquisa documental

A pesquisa documental é elaborada a partir de materiais que não receberam tratamento analítico.

As pesquisas bibliográficas, por outro lado, são feitas a partir de materiais já publicados. Então, essa é a grande diferença entre a pesquisa documental e a pesquisa bibliográfica.

Por exemplo, um texto jornalístico pode ser elaborado de um material sem tratamento analítico, então é documental.

d) Pesquisa de campo

A pesquisa de campo se caracteriza pelas investigações realizadas através da coleta de dados junto às pessoas, somando à pesquisa bibliográfica e/ou documental.

Para tanto, depende da junção de recursos de diferentes tipos de pesquisa, como, por exemplo,  a pesquisa ex-post-facto, pesquisa-ação, pesquisa participante, entre outras.

Por exemplo: uma pesquisa para conhecer as produções agroflorestais das famílias do MST.

e) Pesquisa ex-post-facto

A pesquisa ex-post-facto investiga possíveis relações de causa e efeito entre um determinado fato e um fenômeno que ocorre posteriormente.

Assim, a principal característica é o fato de que os dados são coletados após a ocorrência dos eventos.

Por exemplo, em um estudo sobre a evasão escolar, quando se tenta analisar suas causas. Já, num estudo experimental, seria o inverso, se analisaria enquanto se testa.

f) Pesquisa de levantamento

A pesquisa de levantamento é utilizado em estudos exploratórios e descritivos. Pode ser de dois tipos: de uma amostra e de uma população (censo).

Desta forma, a coleta de dados é feita através de questionários ou entrevistas.

Por isso, de acordo com Gil (2007, p. 52) os estudos descritivos são os que mais se adequam aos levantamentos. Como exemplos temos os estudos de opiniões e atitudes.

g) Pesquisa com survey

Através da pesquisa com Survey, o pesquisador ou pesquisadora visa buscar informações diretamente com um grupo de interesse, a depender dos dados que se deseja obter.

Dessa forma, é um procedimento útil especialmente para as pesquisas exploratórias e para as pesquisas descritivas.

As pesquisas de opinião sobre determinado assunto e a realização de um mapeamento geológico ou botânico são bons exemplos de pesquisa com survey.

h) Estudo de caso

O estudo de caso envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos. O objetivo é buscar um detalhamento aprofundado do assunto.

Por isso é amplamente usada nas ciências biomédicas e sociais, visto que tem o foco em conhecer com profundidade o como e o porquê de uma determinada situação que se supõe ser única em muitos aspectos.

Para a autora Alves-Mazzotti (2006, p. 640), os exemplos mais comuns para esse tipo de estudo são os que focalizam apenas uma unidade: um indivíduo (como os casos clínicos descritos por Freud), um pequeno grupo (como o estudo de Paul Willis sobre um grupo de rapazes da classe trabalhadora inglesa), uma instituição (como uma escola, um hospital), um programa (como o Bolsa Família) ou um evento (a eleição do diretor de uma escola).

Um exemplo de estudo de caso é uma pesquisa para entender o perfil e o estilo de vida de pacientes que realizam cirurgia de retirada de vesículas.

i) Pesquisa participante

A pesquisa participante depende do envolvimento e da identificação do pesquisador com o grupo de pessoas investigadas.

Um bom exemplo de sua aplicação é o estabelecimento de programas públicos ou plataformas políticas e a determinação de ações básicas de grupos de trabalho, em que há o envolvimento do pesquisador.

j) Pesquisa-ação

No formato de pesquisa-ação há a associação entre a teoria e a ação.

Dessa forma, os pesquisadores e os participantes da situação ou do problema se envolvem de modo cooperativo ou participativo.

k) Pesquisa etnográfica

A pesquisa etnográfica é o estudo de um grupo ou de um povo. Algumas características são bastante marcantes, como:

  1. O uso da observação participante, da entrevista intensiva e da análise de documentos;
  2. A interação entre pesquisador e o grupo/povo;
  3. A ênfase no processo e não nos resultados finais;
  4. O foco na visão dos sujeitos pesquisados sobre suas experiências;
  5. A não intervenção do pesquisador sobre o ambiente que está sendo pesquisado.

Um exemplo de pesquisa etnográfica é uma pesquisa sobre uma comunidade indígena da Amazônia, em que há a interação do pesquisador com o grupo.

l) Pesquisa etnometodológica

O termo etnometodologia designa uma corrente da Sociologia norte-americana, que surgiu no final da década de 1960. Seu principal marco foi a publicação do livro de Harold Garfinkel Studies in Ethnomethodology (Estudos sobre Etnometodologia), em 1967 (COULON, 1995, p. 7).

Ou seja, o termo se refere às estratégias que as pessoas utilizam cotidianamente para viver.

Deste modo, esse tipo de pesquisa visa compreender como as pessoas constroem ou reconstroem a sua realidade social.

A análise etnometodológica esclarece de que maneira as coisas vêm a ser como são nos grupos sociais, de que maneira cada grupo e cada membro apreende e dá sentido à realidade e por quais processos intersubjetivos a mediação da linguagem entre os grupos e seus lugares constrói a realidade social que afirmam (COULON, 1995, p. 90).

Assim, para a pesquisa etnometodológica, os fenômenos sociais não determinam externamente a conduta humana. A conduta humana é o resultado da interação social que se produz continuamente através da sua prática cotidiana.

Quadro comparativo dos tipos de pesquisa PARA tcc

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Referências

ALVES-MAZZOTTI, A. J.; GEWANDSZNAJDER, F. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pioneira, 1998.

COULON, Alan. Etnometodologia. Trad. de Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis: Vozes, 1995.

GIL, A.C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1994. 207 p.

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9 comentários em “Tipos de pesquisa: abordagem, natureza, objetivos e procedimentos”

  1. MATERIAL RELEVANTE PARA ORIENTAÇÃO DE PESQUISA CIENTIFICA E ELABORAÇÃO DE TRABALHO ACADEMICO.

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  2. Material excelente, com uma literatura acessivel à granduandos que têm dificuldades na elaboração do desenho da pesquisa. O texto e muito claro, tem uma comunicação exclarecedora na construção da metodologia da pesquisa

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