A dúvida é comum: mesmo dentro da universidade, poucas pessoas sabem com exatidão o que é a pesquisa científica. Nos meios acadêmicos, as dúvidas podem complicar a comunicação entre os professores e os alunos. Para quem tem dúvidas, esse texto é um guia geral sobre o assunto.

Para quem precisa realizar uma pesquisa científica, as explicações a seguir podem ser um guia geral para que você saiba o que se espera do seu trabalho, como aplicá-lo, como concluí-lo e aproveitá-lo. Saiba quais pontos vamos tratar nesse artigo:

  1. A definição de pesquisa científica
  2. Elementos básicos da pesquisa científica
  3. O projeto de uma pesquisa
  4. Formulando uma hipótese
  5. A metodologia
  6. Tipos de pesquisa científica
  7. Diferentes abordagens
  8. Possíveis naturezas
  9. Objetivos da pesquisa
  10. Procedimentos
  11. Encerramentos

1 A definição de pesquisa científica

Para começar, é preciso entender o que é uma pesquisa científica. Para isso, é por vezes mais simples entender primeiro o que não é uma pesquisa científica.

O pensamento filosófico, por exemplo, não é uma pesquisa científica. O ato de pensar sobre dúvidas e questionamentos da vida humana e acontecimentos não qualifica o processo científico e, portanto, não entra nessa classificação.

Para a realização de uma pesquisa científica, é necessário que se apresente resultados mensuráveis, o que não é possível no pensamento filosófico.

Outra coisa necessária para uma pesquisa se qualificar como científica é apresentar resultados que serão possíveis de reproduzir. Isso porque não basta que um pesquisador original observe um fenômeno para que ele fique comprovado: é preciso que a observação passe pela comprovação de um teste de ceticismo.

Se é preciso realizar um teste cético, é preciso portanto que algumas coisas sejam analisadas. A primeira é a importância de que o método seja reproduzível. A segunda é que todo o método e os resultados sejam ostensivamente registrados, de forma a tornar uma reprodução da pesquisa mais fácil e a conclusão confirmada.

2 Elementos básicos da pesquisa científica

A primeira coisa que uma pesquisa científica precisa é um problema de pesquisa. Essa é a questão que a pesquisa tentará responder através da sua metodologia, e portanto o guia para que o resto do projeto seja realizado.

O elemento seguinte são as Informações Pertinentes, que descrevem os dados básicos sobre a questão, a partir do qual o pesquisador irá se decidir pela metodologia pela qual irá responder ao problema. Muitas vezes, alguma das informações está faltando e é preciso adquiri-la. Por vezes, essa aquisição de informação é o próprio problema de pesquisa.

Em seguida, o trabalho do pesquisador é a Seleção de Fontes onde irá adquirir as informações pertinentes, sejam elas já disponíveis ou o problema de pesquisa.

Uma vez com as fontes decididas, é hora de realizar a Definição de Ações, em que se escolhem quais tarefas serão realizadas para tentar conquistar as informações que faltam para resolver o problema.

Uma vez que as tenham sido obtidos os dados, é hora do Tratamento de Informações. Nessa fase, se determina quais delas realmente serão úteis e quais podem estar comprometidas.

Outro elemento necessário é a escolha de uma Base Teórica, que se trata de um norte sobre como interpretar as informações. A intenção é que o mínimo da pesquisa fique dependente de um viés do autor.

O elemento seguinte são as Respostas para o problema escolhido. Elas são um resultado da somatória dos elementos anteriores.

Em seguida, é preciso medir a Confiabilidade do próprio trabalho, realizando um diagnóstico do que pode ter sido comprometido ao longo do processo para que a resposta possa ser questionada por outros pesquisadores que talvez a confirmem.

Por fim, para facilitar também o trabalho dos pesquisadores que decidirem tentar confirmar ou refutar sua pesquisa, é preciso determinar a Generalização dos Resultados. A ideia aqui é explicar até que ponto os mesmos resultados devem ser esperados quando o teste for realizado em outro lugar ou condição. Isso ajuda os reprodutores da pesquisa a adaptar o processo ao tentar realizá-lo.

3 O projeto de uma pesquisa

Quando o seu orientador fala de Projeto de Pesquisa, ele está falando de todo o planejamento necessário antes de começar a se obter os dados. Aqui é importante que você saiba explicar o que pretende, mesmo que isso tenha que mudar no meio do caminho.

Aliás, um projeto vai muito além de prever o que terá de ser feito. É importante determinar o que você pode ser obrigado a alterar e já ter as opções planejadas.

4 Formulando uma hipótese

A hipótese é parte do seu Problema de Pesquisa. Ela é a extensão da pergunta à qual você se propôs responder: aqui, você deve indicar onde, provavelmente, estarão os seus resultados e as respostas para a pergunta.

Um exemplo simples e caseiro: quando você perde a chave do seu carro, precisa saber onde é mais provável que ela esteja, para procurar lá primeiro e ter maiores chances de não perder tempo procurando em lugares improváveis como a geladeira, onde você só vai dar uma olhada se ela não estiver em nenhum outro lugar. Esses locais mais prováveis são a hipótese.

5 A metodologia

A escolha da metodologia é importantíssima para a realização do trabalho. É elas quem determina o caminho que será percorrido através da pesquisa. A metodologia escolhida também será uma forma de aproximar a sua experimentação daquela realizada por outros pesquisadores tentando replicar seus resultados.

É importante entender a diferença entre “metodologia”, que preza pela validação dos caminhos escolhidos, e “métodos”, que simplesmente descrevem o procedimento.

6 Tipos de pesquisa científica

Existem, na verdade, muitas formas de classificar a sua pesquisa científica. Saber em qual descrição exata se encaixa o seu trabalho é uma tarefa importante para não ter problemas ao realizá-los.

A primeira forma de classificar a pesquisa é através da Abordagem, fazendo referência a uma diferença entre pesquisas qualitativas e quantitativas.

Outra forma é com relação à Natureza da pesquisa. Essa é a descrição sobre a profundidade da pesquisa, revelando se ela é apenas uma leve entrada em uma área ou um trabalho absolutamente aprofundado.

Também é possível classificar sua pesquisa científica com relação ao objetivo da pesquisa, o que explica que tipo de resultado está sendo procurado, se algo mais amplo ou afinado.

Por fim, classifica-se a pesquisa através dos seus procedimentos, o que é o mesmo que dizer que podemos separar a pesquisa através de quais atividades serão desempenhadas para se chegar aos seus resultados.

Sabendo as classificações de sua pesquisa, é mais fácil debater com um orientador ou com um colega sobre o processo, além de se tornar mais fácil prever, no projeto de pesquisa, o que será necessário.

7 Diferentes abordagens

Com relação às abordagens, existem duas possíveis, referentes a uma intenção geral do trabalho.

A primeira é a abordagem Quantitativa, que busca demonstrar valores numéricos e verificáveis por outros. Muitas vezes, essa abordagem é considerada exclusiva das ciências exatas, o que não é verdade. As humanidades podem apresentar pesquisas quantitativas através, por exemplo, de estatísticas de população ou outras alternativas de mensuração semelhantes.

A pesquisa quantitativa em geral é considerada mais objetiva e depende da matemática de alguma forma em sua linguagem.

A alternativa é a abordagem Qualitativa, que vai buscar qualificar o resultado, isto é, descrever as informações obtidas. Uma pesquisa qualitativa pode ser perigosamente subjetiva. A subjetividade é, aliás, inseparável dessa abordagem, mas pode ser controlada caso o pesquisador tenha a consciência dessa relação.

Na pesquisa qualitativa, o pesquisador muitas vezes está mais preocupado em compreender a natureza do fenômeno científico que está observando, descrevendo-a e analisando a fundo. Ela pode, é claro, ter algumas associações com mensurações matemáticas, mas essas são as exceções.

8 Possíveis naturezas

A natureza mais simples de uma pesquisa é a Básica, na qual o interesse do pesquisador é simplesmente o de gerar novos conhecimentos sem a intenção de dar a eles uma função prática precisa em um primeiro momento. É na maioria das vezes o tipo de trabalho que gera novos questionamentos sobre a natureza.

Em contraste, temos a pesquisa Aplicada, que resolve problemas mais localizados em determinadas áreas de conhecimento, como a construção civil ou a medicina. É através desse tipo de trabalho que os conhecimentos ganham formas de melhorar a vida humana.

9 Objetivos da pesquisa

O primeiro tipo de objetivo possível para uma pesquisa é o Exploratório, que são trabalhos onde o pesquisador planeja apenas auxiliar em um mapeamento sobre uma área nova de conhecimento. Aqui, testam-se diversas possibilidades e se formulam diversas hipóteses que podem ser respondidas por outros.

As pesquisas de objetivo Descritivo tem como missão aprofundar o que se sabe sobre o fenômeno, sem necessariamente dar um final para as informações obtidas. Um exemplo de pesquisa que segue esse tipo de objetivo são os estudos de caso.

As pesquisas científicas de tipo Explicativo buscam sanar as dúvidas e esclarecer completamente o fenômeno observado.

Como podemos observar, as pesquisas que objetivam mais seriamente um resultado específico dependem da realização anterior de pesquisas de outros tipos de objetivos, seja pelo mesmo pesquisador ou outros autores.

10 Procedimentos

Existem uma grande quantidade de procedimentos que podem ser realizados em uma pesquisa. Por vezes, eles são combinados em um mesmo artigo acadêmico. Outras, o autor escreve um trabalho diferente para detalhar cada esforço em sua jornada de descobertas.

Os procedimentos do tipo Experimental são aqueles no qual o trabalho é realizado através de um experimento detalhado, absolutamente planejado, que demonstre de forma empírica os resultados e possa ser repetido de forma apurada por um outro pesquisador.

Os procedimentos de pesquisa Bibliográfica são aqueles no qual o autor levanta diversas referências teóricas já comprovadas. Todas as pesquisas começam através desse tipo de trabalho, mas alguns são específicos desta categoria, demonstrando que o conhecimento para se solucionar o problema já havia sido obtido anteriormente.

A pesquisa Documental é semelhante à bibliográfica, mas procura suas informações em fontes menos óbvias, como documentos governamentais, jornais, relatórios de outrem, obras artísticas, entre outras possíveis alternativas.

Temos também a Pesquisa de Campo, fortemente associada com a biologia e outros estudos da natureza. Na verdade, o termo campo se refere ao ambiente de estudo, com o pesquisador indo diretamente atrás da fonte de dados. Podemos colocar aqui, por exemplo, um sociólogo que realiza entrevistas na rua.

Um tipo muito importante de procedimento é a pesquisa Ex-Post-Facto. Aqui, o autor irá investigar a relação de um fenômeno com a ocorrência de um fato anterior a ele. Os estudos que procuram as causas de um problema caem nesse tipo.

Temos então a Pesquisa de Levantamento. Esse é o procedimento em que se retira uma amostra estatística ou de população de um determinado universo, buscando determinar fatos observáveis.

O Estudo de Caso é o procedimento em que se analisa extensamente uma ocorrência de um fenômeno procurando extrair dela o maior número de dados relevantes possível. É muito comum na medicina, onde existem incontáveis variáveis que podem determinar uma doença, mas também pode ser utilizado em outras áreas de conhecimento.

A Pesquisa com Survey é quando o autor vai diretamente a um grupo de interesse obter os dados através de um questionário bem elaborado.

A Pesquisa Participante é comum dentro da antropologia, onde o pesquisador se insere dentro da cultura estudada de forma a poder tirar dados empíricos. Alguns outros casos podem ser realizados, embora em algumas áreas de conhecimento esse tipo de procedimento seja considerado anti-ético, como na medicina.

Um tipo ligeiramente diferente de procedimento é a Pesquisa-Ação, em que o pesquisador planeja um ato que, quando realizado, causará consequências no universo observado que permitirão mensurar resultados. É o caso, por exemplo, de criação de técnicas pedagógicas. Mas também podemos dizer que certas pesquisas da ecologia caem nesse aspecto.

11 Encerramentos

Para finalizar, um último conselho. Ao realizar uma pesquisa científica, é preciso ter muito cuidado com a contaminação de dados. Por vezes, o autor do trabalho acredita antecipadamente que obterá dados em uma determinada direção ao realizar seus procedimentos, o que acaba fazendo que tire conclusões precipitadas. É o chamado Viés de Confirmação.

Para evitar esse tipo de problema, tenha muito cuidado ao tratar seus dados, sempre tentando tirar deles nada além dos fatos.

Quando estiver atolado em dados e descrições de procedimentos, você pode ter alguns problemas em aplicar normas técnicas no seu artigo científico que irá revelar sua pesquisa para o meio acadêmico.

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Pesquisa Científica: tudo o que você precisa saber sobre
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